Resumo do Mercado: Panorama Econômico e Financeiro
25.08.2025
Selic parada, STF contesta sanções estrangeiras e Fed sinaliza cortes: três movimentos que moldam a economia global
O cenário econômico vive dias de tensão e expectativa, com decisões no Brasil e nos Estados Unidos que afetam diretamente crédito, câmbio e regulação.
Banco Central segura a Selic
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, afirmou que ainda não há espaço para cortes na taxa Selic, mantida em 15% ao ano. Apesar da inflação recente ter ficado abaixo do esperado, o índice segue acima da meta oficial de 3%, e tanto as projeções de mercado quanto as internas ainda estão desalinhadas.
Segundo Guillen, os juros já mostram efeitos sobre crédito e câmbio, mas as incertezas externas — em especial as novas tarifas dos EUA — exigem cautela. Ele também reforçou a independência da autoridade monetária frente a pressões políticas.
STF impõe barreira a sanções estrangeiras
Uma decisão do ministro Flávio Dino estabeleceu que leis, ordens e sanções de governos estrangeiros só terão validade no Brasil após homologação da Justiça nacional. O entendimento afeta diretamente a aplicação da Lei Magnitsky dos EUA, usada para impor restrições financeiras a autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes.
A reação foi imediata: bancos consideraram a medida “incumprível”, já que o sistema financeiro global exige cumprimento automático dessas sanções. A decisão é vista como defesa da soberania jurídica nacional, mas aumenta a insegurança regulatória para o setor bancário.
Fed abre espaço para cortes
No tradicional Simpósio de Jackson Hole, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, admitiu a possibilidade de cortar juros já em setembro. O tom foi mais flexível, reconhecendo que a política monetária está restritiva e que o mercado de trabalho dos EUA começa a dar sinais de enfraquecimento.
Apesar disso, Powell evitou compromissos formais, mantendo postura cautelosa. Analistas projetam que o ciclo de cortes de juros nos EUA deve começar ainda em 2025, o que pode impactar diretamente fluxos de capital e câmbio em mercados emergentes, como o Brasil.
O mercado financeiro iniciou a semana em clima positivo, mesmo com a atenção voltada às decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. O alívio nos juros americanos impulsionou o desempenho das bolsas, enquanto dólar e euro também avançaram em sintonia com o movimento global. A inflação segue estável, mas ainda acima do centro da meta.
Principais indicadores do dia
Ibovespa: 137.968,16 pontos (+1,19%)
Dólar: R$ 5,42 (+)
Euro: R$ 6,36 (+)
Selic: 15,00% a.a.
CDI: 14,90% a.a.
Poupança: 0,5% ao mês + TR
Inflação (12 meses): 5,23%
Commodities
Soja: R$ 120,00
Milho: R$ 51,00
Trigo: R$ 76,00
Café: R$ 2.000,00