Brasil na mira da nova ordem mundial: e agora, empresário?
09.09.2025
O cenário global mudou. A globalização perdeu espaço para a geopolítica, e a economia deixou de ser prioridade frente à disputa de poder entre grandes potências. Nesse tabuleiro, o Brasil ainda parece olhar pelo retrovisor, enquanto países competidores se movimentam com mais estratégia.
Esse foi o alerta de empresários e economistas durante reunião na Associação Comercial de São Paulo (ACSP): o país precisa agir rápido para não perder empregos, competitividade e influência internacional.
O tarifaço americano e o efeito dominó
O pacote de tarifas dos EUA já provoca impactos visíveis na agricultura, na indústria e no varejo. Exportações de manga caíram 50%, e setores como máquinas, têxteis e calçados falam em risco de paralisações.
A consequência prática? Fechamento de fábricas e empregos ameaçados.
A situação é agravada pela dependência do Brasil em relação à China, que absorve 70% da soja exportada. Enquanto isso, os EUA criaram um departamento específico para investigar nossas vendas aos chineses, aumentando a desconfiança e gerando instabilidade nos preços de commodities como soja e milho.
O agro entre gigantes e vulneráveis
Embora o agronegócio siga em expansão, os grandes grupos concentram benefícios, enquanto pequenos produtores ficam expostos a tarifas, queda de preços e dependência de insumos importados, como fertilizantes russos e diesel estrangeiro.
A abertura de novos mercados, como o México e outros 250 destinos, mostra alternativas, mas falta ao Brasil uma estratégia de longo prazo no xadrez global.
Indústria em marcha lenta
O setor industrial cresce apenas 1,2% no semestre, contra 3,1% no ano passado. Áreas mais dependentes de crédito, como bens de capital e consumo durável, estão em retração.
Diante da ausência de articulação internacional do governo, algumas empresas recorrem a consultorias nos EUA para negociar diretamente com autoridades americanas.
Tecnologia e soberania: alerta vermelho
Além das questões comerciais, há um risco estratégico: a dependência digital. Mais da metade da infraestrutura bancária brasileira está hospedada nos EUA. Em um cenário de ruptura geopolítica, isso poderia paralisar o sistema financeiro nacional.
Enquanto terras raras, inteligência artificial e dados se tornam armas na disputa global, o Brasil segue exportando matéria-prima, sem protagonismo no desenvolvimento tecnológico.
O recado final
O Brasil precisa deixar de reagir e começar a agir estrategicamente. Sem isso, continuará vulnerável em um mundo cada vez mais competitivo e imprevisível.